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 Poemas

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Luiz Gustavo
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Sab Mar 22, 2008 2:52 pm

Ah!! Eu escrevo!! xD
Os meus poemas são meio fúnebres, mas... vou colocar alguns aqui pra vocês:

Se ficar estranho o jeito que eu escrevo, lembrem-se que sou brasileiro .-.
Amor

Eu te desejo mais que tudo,
Mas você não me ama.

Eu te quero mais que o mundo,
Mas você não gosta de mim.

Eu quero os seus lábios tocar,
Mas você teima em me odiar.

Eu quero a sua vida para mim,
E quando você estiver morta,
Em meus braços eu lhe segurarei,
E você me amará em fim.

Com um beijo selarei nosso destino,
E morta em meus braços,
Nos amaremos assim.

Luiz Gustavo O. Xavier
(21/03/2008)

oOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooO

Paixão

Eu ainda te vejo nos meus piores pesadelos,
O fantasma do seu ser ainda me assombra.

Não resisto mais a tentação,
O desejo de te ter perto de mim.

Não suporto mais a dor,
De você ter partido sem mim.

A morte irá nos unir novamente,
Nem que seja preciso cometer suicídio...

Eu estarei com você uma vez mais,
Pelo menos uma vez mais...

Eu poderei lhe tocar,
Eu poderei lhe beijar.

Nem que seja o último beijo,
Eu o quero para mim.

Os desejos mais obscuros da minha alma,
Serão todos seus no fim.

Espero que me compreenda,
E me ame assim.

Luiz Gustavo O. Xavier
(21/03/2008)

oOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooO

Passos

Dou meus primeiros passos,
e começo a caminhar.
Não olho para trás,
para não me atrasar.

Não paro por um segundo,
como este frio e estranho mundo.
Prefiro continuar andando,
assim como continuo sonhando.

Sei que chegarei cedo,
pois assim não perderei a hora.
Quando chamarem o meu nome,
logo irei embora.

Nunca mais irei vê-los,
assim como nunca mais me verão.
Espero por um momento,
e paro pra ouvir meu coração.

Posso não saber o que virá,
mas terei que arriscar.
Vejo então um portão,
sem enfeites, sem nenhuma decoração.

Então paro de andar, e olho para trás,
o meu futuro é incerto, mas sei que sou capaz.
Irei agüentar, irei suportar,
Não mais irei vê-los, não mais irei incomodar.

Decido então, entrar no portão,
e para sempre ele irá se fechar.
Digo adeus ao meu antigo mundo,
e então paro de respirar.


Luiz Gustavo O. Xavier

oOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooOooO

Estrada



Andando pela calçada,
paro e olho para a estrada.
Vejo carros passando,
pessoas gritando e conversando.

Não ouço palavras,
apenas ruídos.
Vozes surdas, sons mudos,
sem lógica, sem sentido.

Ouço os carros passando,
paro e me viro para a estrada.
As pessoas não paravam,
nem sequer olhavam para a calçada.

Decido que já estava na hora,
de todos prestarem atenção.
Era a minha missão,
a minha tarefa, e minha decisão.

Estava cansado de nunca me notarem,
nunca acenarem, nunca perceberem,
que eu sempre estava por perto,
sempre olhando, nunca conversando.

Ninguém me via, ninguém me percebia,
estava cansado disso, e queria ser ouvido.
Nunca falava nada, porque ninguém nunca me escutava.
Estava decidido, iria sentir o perigo.

Decidi por um fim em tudo isso,
caminhei em direção a estrada,
abandonando a antiga calçada,
que sempre vivia grudada.

Ainda sim, no meio da avenida,
ninguém me percebia,
ninguém me via,
ninguém sequer me ouvia.

Um carro veio em minha direção,
eu ouvia meu coração,
e a primeira vez que falei,
novamente não fui ouvido.

Estava jogado no chão,
uma mão em meu coração,
minhas últimas palavras, ninguém ouviu,
foi apenas um ruído, um som infantil.

Sempre fui criança,
nunca havia perdido a esperança,
até aquele dia,
em que estava na calçada.

Parado no meio da estrada,
sangue escorrendo por todas direções,
o meu fim havia chegado,
e com um sorriso no rosto,
todos haviam me notado.


Luiz Gustavo O. Xavier
Por enquanto é só, digam se gostaram ou não... se tiver gostado eu trago mais. Very Happy
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SupeRaul
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Sab Mar 22, 2008 8:20 pm

Muito bons poemas luiz xD um rapaz mais novo que eu fazer algo assim...quem me dera, lol...
Esse ultimo da "estrada"...***** xDDDD

Força ai!

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Luiz Gustavo
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Dom Mar 23, 2008 8:24 pm

Thanks! ^^

Escrevo desde os seis anos de idade, então... já tenho anos de prática xD
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Sayuri
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Seg Mar 24, 2008 3:22 pm

Acho que será o único poema que irei postar. É um dos melhores que escrevi, acho.


Beijos



Por eles quantos já se perderam?

Já aos bélicos fados,

Sem escolha cederam,

E, perdidos nunca mais voltaram,

E, em vão procurados,

Nunca foram encontrados?



Ó eterna maldição!

Por vós, quantos já deram a vida,

Quantos estagnaram no tempo malicioso,

Quantos deram o seu bem mais precioso,

Que para além da vida, por vós entristecida,

Era também o seu leviano coração?



Ó eternas delícias!

Como é que tão simples carícias,

Podem mudar o rumo de histórias,

Podem decidir derrotas e vitórias,

Conseguem denotar emoções implícitas?



Trocas sonhos, planeamentos, recordações,

Memórias, tornando-vos incrementos,

De almejos e impossíveis acções.

De desejos e tenebrosas monções.



Ide-vos, deixai as nossas vidas fluir.

Deixai-nos viver, como sendo gente.



Mas vós, como sois aliciante,

De magnitude exorbitante,

Não nos deixais querer ver-vos partir.

Pois sabeis como não nos sois indiferente,

E estando preso a vós, não nos é permitido mentir.
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Seg Mar 24, 2008 4:37 pm

uii uii a nossa martinha escreve mesmo bem x)
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Seg Mar 24, 2008 5:05 pm

Quotes Angeless, tens que postar mais xD

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MensagemAssunto: Re: Poemas   Seg Mar 24, 2008 5:19 pm

*Quotes Angeless*

*Smacks Raúl in DA face*
*Aplica um masterlock no Raúl*

Ah Pois é ^^ Temos poetisa! (poetiZa vem do verbo poetizar: eu poetizo, etc)

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Miki
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Seg Mar 24, 2008 7:58 pm

Tenho de por o poema do meu portefo'lio aqui xD

Para rir um bocado xD
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SupeRaul
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Ter Mar 25, 2008 3:18 am

* Faz um grande "lol" para a Miki* Força! Posta! xD
*faz um grande "olo" para nuno* Quebrei o Masterlock Razz

Força!

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MensagemAssunto: Re: Poemas   Ter Mar 25, 2008 7:50 am

LOOOOOL Tu quebrares o masterlock? A barreira entre a bakazisse e a esperteza já te vi quebrares (e a regra da escrita que quebras todos os dias aos poucos) agora o Masterlock? Olha se não tivesse adormecido tavas preso a esta hora xD ... já agora..

*sweet chin music*

SHUT T-F'k up xD

btw: muito gostas tu do "olo", e imagino que não seja só a escrever xD

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MensagemAssunto: Re: Poemas   Ter Mar 25, 2008 11:00 am

LOOOL perversidades rullam 8D . sim ela vai postar mais, porque eu quero 8D
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Elric
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Sex Jun 20, 2008 3:00 am

Adorei os poemas, principalmente os da angeless. A Sayuri também não tá nada má. O "poema à mãe" já conhecia e também é tipo...dos meus favoritos. É pena é que ninguém tenha feito postado mais desde março...
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Lira
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Sex Jun 20, 2008 8:24 am

Pois... os poemas tão lindos. Como é que conseguem escrever em inglês?! Espectáculo, a sério! Eu só escrevi uma vez em inglês e para nunca mais, não é a mina língua e pronto...

Tenho um tópico para os meus poemas mas vou postar aqui um que não é meu. Adoro-o! Já o recitei, parecia uma louca xD

Cântico negro - José Régio

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Sab Jun 21, 2008 10:45 am

Obrigado a quem gostou dos meus poemas Embarassed
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Elric
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Ter Jul 01, 2008 8:09 am

Este poema não dá hipótese (rebenta comigo...dos meus favoritos):

Álvaro de Campos:
"Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.

Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.

Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.
Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo —
A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.

Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.

Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.
Sou eu mesmo, que remédio! ..."

E tive uns 10minutos a escrever isto...mas é lindo!valeu a pena!
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Lira
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Seg Jul 07, 2008 6:52 am

_ _ _

*.*

Sempre que leio Campos fico assim... perto do choro, com o estômago apertado como que meia nervosa, fascinada... Decido sempre que não vou escrever mais porque não vale a pena (esta decisão é sempre passageira).

Adoro, adoro, adoro Campos!

Este deve ser o mais conhecido, mas gosto tanto dele que não consigo deixar de o postar:

Lisbon Revisited (1926) - Álvaro de Campos

Nada me prende a nada.
Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja -
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.

Fecharam-me todas as portas abstractas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua.
Não há na travessa achada o número da porta que me deram.

Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta - até essa vida...

Compreendo a intervalos desconexos;
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia.
Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme;
Não sei que ilhas do sul impossível aguardam-me naufrago;
ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.

Não, não sei isto, nem outra coisa, nem coisa nenhuma...
E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei,
Nos campos últimos da alma, onde memoro sem causa
(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas),
Nas estradas e atalhos das florestas longínquas
Onde supus o meu ser,
Fogem desmantelados, últimos restos
Da ilusão final,
Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido,
As minhas cortes por existir, esfaceladas em Deus.

Outra vez te revejo,
Cidade da minha infância pavorosamente perdida...
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui...
Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,
E aqui tornei a voltar, e a voltar.
E aqui de novo tornei a voltar?
Ou somos todos os Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligados por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?

Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.

Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...

Outra vez te revejo,
Sombra que passa através das sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir...

Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim -
Um bocado de ti e de mim!...
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Seg Jul 07, 2008 9:51 am

Não sou grande apreciadora de Álvaro de Campos. Prefiro Fernando Pessoa, ortónimo, e até Ricardo Reis. No entanto, gostei bastante desses poemas. Vou deixar aqui também o meu favorito dele, que é o com que me identifico mais ^^


O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...
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Ashton
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Seg Jul 07, 2008 5:04 pm

Ricardo Reis, não é? Apela demasiado à apatia e à ataraxia...

Mencionaste tanto Pessoa Ortónimo como o Reis, por isso é que pergunto. Razz
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Seg Jul 07, 2008 5:11 pm

Nao percebo la muito de fernando pessoa, so mesmo de ricardo reis e so mesmo devido as suas ideias...eu sou 70% parecido a esse heteronimo xD


Caeiro nem me atrevo a olhar...Alvaro de Campos é um mau exemplo x'D

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MensagemAssunto: Re: Poemas   Ter Jul 08, 2008 6:27 am

Esse poema é de CAMPOS!!!!! Nunca de Ricardo Reis!
Reis (de quem não gosto nada, não o consigo compreender) tem uma escrita mais organizada e grave e dirige-se sempre a alguém.
No poema consta uma das frases de Campos das quais mais gosto: amo infinitamente o finito. Adoro esta vertente paradoxal da sua poesia... quer tudo ao mesmo tempo e de todas as maneiras... isto é fantástico!
O meu ranking pessoano (do que conheço) é o seguinte: Campos, (Bernardo Soares), Pessoa, Caeiro, Reis.
Bernardo Soares encontra-se mei dividido entre o primeiro e o segundo lugar...
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Ter Jul 08, 2008 6:31 am

Oh well... nunca fui grande adepto da poesia. ^^''
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Ter Jul 08, 2008 12:13 pm

Vocês compreenderam mal... Quando disse que deixava o meu favorito dele, estava-me a referir a Álvaro de Campos, que era o tema da conversa... Aquele poema é o meu favorito dele, mas estou a dizer que prefiro Ricardo Reis e sobretudo Fernando Pessoa.

Aliás, não percebo porque é que toda a gente odeia Ricardo Reis. Vou deixar aqui o meu favorito dele (quem não conhece...):

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
no mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
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Ashton
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Ter Jul 08, 2008 12:17 pm

Nunca disse que odiava os poemas dele! Até gosto. xD
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MensagemAssunto: Re: Poemas   Ter Jul 08, 2008 12:23 pm

"Põe quanto és no minimo que fazes, Assim em cada lago a lua toda
Brilha"

Adoro esta frase

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MensagemAssunto: Re: Poemas   Ter Jul 08, 2008 12:33 pm

Ashton escreveu:
Nunca disse que odiava os poemas dele! Até gosto. xD

Geralmente as pessoas preferem outros. O pessoal que eu conheço não costuma gostar, e parece que aqui também não =P


Eu acho este um poema bem inspirador.
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